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22/09/2009

Põe canalhice nisso!

A política externa da canalhice, por Augusto Nunes

Em janeiro de 2003, o Brasil liderava a América do Sul sem bravatas nem requebros exibicionistas. No poder desde 1998, Hugo Chávez não ousara provocar nenhum vizinho. O acordo de fronteiras entre o Equador e o Peru, consumado com a mediação pessoal do presidente Fernando Henrique Cardoso, removera do mapa do subcontinente a última zona conflagrada. O Paraguai respeitava o acordo de Itaipu, a Bolívia entendia que o preço do gás levava em conta o gasoduto bilionário construído pelo parceiro. Ninguém se atrevia a desafiar o Brasil.

O governo Lula precisou de seis anos e meio para exterminar a herança bendita. Acanalhado pela soma do deslumbramento de um presidente ignorante também em geopolítica com o servilismo do chanceler Celso Amorim, o Itamaraty cedeu ao Paraguai e ao Equador, recuou diante da Argentina e da Bolívia, rendeu-se à Venezuela e acaba de ajoelhar-se diante de Hugo Chávez. Ao instalar na embaixada em Tegucigalpa o golpista Manuel Zelaya, deposto da presidência por tentativa de estupro contra a Constituição, o país colocou Honduras a um passo da guerra civil.

Tomara que Barack Obama acorde a tempo de descobrir que uma pequena república que luta para livrar-se da quadrilha bolivariana foi simbolicamente (por enquanto) invadida pelo Brasil. Tomara que entenda que um presidente que age como comparsa da ditadura cubana não pode meter as patas em outros países em nome da democracia que não respeita. O que houve não foi um lance no xadrez da política internacional. Foi coisa de gângster.

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16/09/2009

O Brasil conseguiu ficar mais jeca

Excelente post do Augusto Nunes !

Leia:

"Na véspera do Sete de Setembro, o presidente da República convocou uma cadeia nacional de rádio e televisão, promoveu oficialmente a Dádiva de Deus a demasia de jazidas de petróleo localizadas no fundo do mar pelo maior dos governantes, entregou um passaporte para o futuro a todos os moradores da terra, aqui nascidos ou naturalizados, cumprimentou-se por ter fundado a Petrobras em parceria com Getúlio Vargas, reduziu a traidores da pátria os que desconfiam do governo ou querem investigar empresas estatais, condenou à danação eterna os pessimistas de ofício e proclamou a Segunda Independência.

Segunda e definitiva, porque a Primeira poderia ter ficado no grito se a Inglaterra não emprestasse o dinheiro que agora vai sobrar. Fora a saúde, que continua precisando de uma CPMF disfarçada para sair da UTI, o resto é macuco no embornal, assunto liquidado, caso resolvido. Os petrodólares e petroeuros jorrarão com tamanha abundância que os ministros pedirão de joelhos que o Ministério da Fazenda recolha as verbas já concedidas por não saberem mais onde gastar, e os parlamentares governistas, por já ter sido inaugurada a última ponte sobre o último rio imaginário, terão de conformar-se com as propinas extraídas de pinguelas e mata burros.

Sabe disso melhor que ninguém o filho do Agreste pernambucano que se tornou simultaneamente Pai dos Pobres e Mãe dos Ricos, mas a um estadista cumpre agir com sobriedade e prudência, recomendadas com a devida ênfase aos brasileiros comuns no pronunciamento do domingo incomparável. Gastem com moderação, ordenou aos pródigos e aos perdulários. Em seguida, comunicou que o patriotismo de galinheiro passaria a ser daquele momento em diante a terceira paixão nacional, ao lado do futebol e do carnaval. E foi dormir na OPEP.

Na segunda-feira, no centro da tribuna de honra armada na capital federal, ao lado do presidente da França e de dignitários dos Três Poderes, além dos comandantes militares em trajes de gala, o Primeiro Mandatário presidiu o desfile das Forças Armadas em homenagem ao Sete de Setembro, aprovou as piruetas da Esquadrilha da Fumaça, mas entendeu que deveria tornar mais retumbante a parada do ano que vem e combinou um churrasco na residência presidencial com o companheiro Nicolas Sarkozy.

A explosão da churrasqueira, por motivos ainda sob investigação, adiou o sonho de conhecer a picanha mal passada, mas permitiu ao visitante flertar com uma moqueca capixaba e apaixonar-se pelo feijão tropeiro, o que levou o anfitrião a concluir que Sarkozy já se sente em casa e a apressar a compra de caças, submarinos e helicópteros com sotaque francês. Em seguida, comunicou ao país que fechou o negócio porque lhe deu na telha e assim será sempre que desejar. E foi dormir no clube das potências.

Na terça-feira, o Brasil acordou com a mesma cara com que se deitara na sexta. Passados 10 dias, as coisas continuam como estavam antes da independência de araque. Seis quilômetros separam o pré-sal da superfície e dos barris que não serão distribuídos antes de 2020, o preço da gasolina permanece na mesma altitude, os aviões taxiam nas pranchetas, as obras do PAC existem apenas em peças publicitárias. Os problemas não mudaram de tamanho. A corrupção institucionalizada impõe ao país a cara de uma republiqueta primitiva. Sob a proteção do chefe a grande quadrilha federal age com o desembaraço dos condenados à impunidade.

Sem parentesco com o que o governo inventou, o país real não mudou. Só conseguiu tornar-se ainda ainda mais metido a esperto, mais grosseiro, mais caipira, mais jeca. Toda nação acaba ficando parecida com quem a governa."

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17/08/2009

Gostei de Ler

- A ministra mente com a convicção sem remorso de espiã de cinema, por Augusto Nunes
- Liberdade para a gastança, Editorial do Estadão
- O rescaldo da crise da roubalheira no Senado, por Villas Bôas-Corrêa
- Mas que mal os católicos fizeram a essa gente?, por Reinaldo Azevedo
- O caso da bandeira monárquica, por João Távora no Corta Fitas.

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14/08/2009

O buraco negro da manipuladura

Muito bom, imperdível mesmo, o artigo do Augusto Franco na Folha de S.Paulo de ontem. Como o acesso é exclusivo para assinantes, me permito publicá-lo aqui na integra, dada a importância que lhe atribuo:


A democracia também não tem proteção eficaz contra o uso de procedimentos democráticos (como as eleições) contra ela própria


A DEMOCRACIA surgiu na velha Grécia como um movimento de desconstituição de autocracia. O motivo fundante foi evitar a volta de tiranias como a dos psistrátidas.
Para tanto, foram criados procedimentos e mecanismos que, mal ou bem, cumpriram sua função nos cem primeiros anos da experiência. Reinventado pelos modernos, o software democrático manteve ativa tal funcionalidade. De sorte que, nos últimos dois séculos, as democracias floresceram, e as ditaduras feneceram.
Péricles e seu "think tank" ateniense (o núcleo do "partido" democrático ao qual pertenciam Protágoras e Aspásia) já haviam se dado conta em meados do século 5º antes da era comum que a democracia nascia com um defeito genético: ela não tinha proteção eficaz contra o discurso inverídico. E ainda não tem: contra um Címon jactante ou contra um Sarney resiliente (na mentira), pouco podem as regras da democracia.
Não se deram conta, porém, os fundadores, de que a democracia tinha outro gene defeituoso, que só foi ativado recentemente, após a última onda democratizante do século 20, que sepultou as ditaduras latino-americanas (com exceção de Cuba) e os regimes autocráticos da ex-URSS e do Leste Europeu.
Esse gene recessivo revelou-se como um erro de projeto: a democracia também não tem proteção eficaz contra o uso de procedimentos democráticos (como as eleições) contra ela própria.

O primeiro pensador democrático a antever os efeitos devastadores do uso da democracia contra a democracia foi John Dewey, que percebeu as armadilhas da sua instrumentalização a serviço da conquista do poder de Estado. E o último a teorizar sobre isso com consistência foi, sem dúvida, Ralf Dahrendorf, que constatou que apenas a eletividade não é um critério capaz de garantir a legitimidade dos regimes tidos por democráticos.
O fato é que uma nova onda autocratizante começou a se avolumar após o breve sopro democrático dos anos 80 e 90. Agora as ameaças à democracia não vêm mais das ditaduras clássicas, em que grupos autoritários empalmavam o poder por golpes de força. Não, agora elas vêm de governos eleitos por larga maioria que, depois, ocupam e pervertem as instituições da democracia para controlá-las.
São governos que foram, sim, eleitos democraticamente, mas para conseguir um aval para não governar democraticamente. Suas primeiras providências são perseguir os meios de comunicação e abolir a rotatividade democrática.
São as protoditaduras, como as que se instalaram na Federação Russa, na Venezuela, na Bolívia, no Equador, na Nicarágua. E a inclusão virtual do Paraguai, de Honduras e de El Salvador nessa lista evoca o "efeito dominó".
Pode-se dizer que, com exceção da Rússia, a grande "autocracia do petróleo e do gás", são, todos eles, Estados-nações inexpressivos.
É verdade, mas o problema é que essas protoditaduras são apoiadas politicamente por uma retaguarda importante ("mais civilizada", nem que seja por força da maior complexidade das suas sociedades), composta por democracias formais parasitadas por governos neopopulistas manipuladores, como Brasil e Argentina. Estas representam um fenômeno lateral na nova onda autocratizante, para o qual a análise política ainda não cunhou um termo: na falta dele, caberia designá-las, com perdão do neologismo, de "manipuladuras".
Menos mal para nós que Lula não seja um Putin (agente de um "partido" de assassinos, a KGB, sob o silêncio cúmplice do mundo) ou um Chávez (promotor de uma revolução bolivariana, inclusive financiador de ações de luta armada, também sob o silêncio irresponsável do mundo).
Péssimo para nós que nosso presidente continue prestando apoio político aos próceres do bolivarianismo e a seus pupilos (como agora a esse caudilho Zelaya). Se os governantes de um país importante como o Brasil podem entrar na nova onda autocratizante, mesmo que na sua retaguarda política -e ninguém diz nada, porque, convenhamos, oposição de verdade não há por aqui-, estamos correndo sério risco: nós e as demais sociedades latino-americanas que ainda não tombaram nesse "efeito dominó".
Será apenas uma questão de tempo a degeneração completa das nossas instituições -que, aliás, já começou.
Hoje o Senado, a Petrobras e órgãos de Estado como as agências reguladoras e o Itamaraty, os fundos de pensão, parte das ONGs. Amanhã, quem sabe, outros níveis de governo, demais Legislativos, Ministério Público e Judiciário. Vai tudo ser engolido pelo buraco negro da manipuladura.

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08/08/2009

Gostei de Ler

-"O que faz Renan fora da cadeia?" por Augusto Nunes
-"O Serviço Público Reprovado" Editorial do Estadão
-"O Passado Assombra o Senado por Otávio Cabral

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17/07/2009

Enfim, o pré-sal

É o título de mais uma ótima crônica com que Guilherme Fiúza nos brinda:

"Começou a exploração da camada pré-sal. Lula ordenou pessoalmente o início dos trabalhos. E não custará tão caro quanto se imaginava.

O campo escolhido pelo presidente para a empreitada foi a CPI da Petrobras. A exploração se dará da seguinte forma: a base aliada do governo gritará que a CPI põe em risco o projeto do pré-sal, e conseqüentemente o futuro do Brasil.

Essa forma de exploração das riquezas petrolíferas profundas é a ideal. Pode ser feita de terno e gravata, não suja as mãos (de óleo), não precisa de alta tecnologia e dá resultados imediatos.

Os custos existem, mas são incomparavelmente inferiores. Como se sabe, um senador dócil não custa tão caro assim.

É preciso reconhecer que, nessa área, o governo Lula tem sido de uma coerência a toda prova. E de uma enorme eficiência também. O lema “Não perca tempo fazendo aquilo que você pode apenas falar” é um sucesso. Em qualquer canto do país há um brasileiro se sentindo mais rico porque o pré-sal é dele. Aceleração do crescimento é isso aí.

O PAC é um sucesso, Dilma é a mãe, e ninguém está nem aí para a explosão da carga tributária e dos gastos públicos. O petróleo é nosso, o Sarney também, e viva o governo popular.

Fica combinado assim: o presidente do Senado é vítima do denuncismo, a CPI da Petrobras é um atentando contra o futuro do Brasil. Não deixem esses abutres impedirem que Lula enriqueça os brasileiros.

Começou muito bem a exploração do pré-sal. No futuro, ela se confundirá com a ideologia central do governo Lula: no princípio era o verbo, no final também."

Leia a coluna do Guilherme Fiúza, na Época, aqui

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08/07/2009

Lula tem razão: não confie nos doutores

Dilma Rousseff teve um momento-Maradona e ajeitou o seu currículo com a "mão de Deus"



"LOGO NO GOVERNO de um presidente que chegou ao Planalto sem diploma de curso secundário e gosta de ironizar canudos, descobriu-se que dois de seus ministros ostentaram títulos universitários maquiados. A repórter Malu Gaspar revelou que, ao contrário do que informava o Itamaraty, o chanceler Celso Amorim jamais teve título de doutor em ciências políticas e econômicas pela London School of Economics. Pior: a biografia oficial de Dilma Rousseff, ministra-chefe da Casa Civil, candidata à Presidência da República, informava que ela é "mestre em teoria econômica" e doutoranda em economia monetária e financeira pela Unicamp. A Plataforma Lattes, do CNPq, registrou que ela obteve o mestrado com uma dissertação sobre "Modelo Energético do Rio Grande do Sul". Falso. O repórter Luiz Maklouf Carvalho revelou que, segundo a Unicamp, não há registro de matrícula de Dilma Rousseff no seu curso de mestrado. Só ela tem a senha que permite mexer nos dados da página com seu currículo no Lattes."
Élio Gaspari na Folha
Artigo completo aqui para assinantes

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06/07/2009

Farsa

Farsa por Denis Rosenfield no Estadão

"Não deixam de causar estupefação as supostas declarações "democráticas" de nossa diplomacia, de nosso presidente e de um número significativo de dignatários, por assim dizer, latino-americanos (Chávez, Morales, Correa, etc.), condenando o golpe militar em Honduras. O golpe é certamente condenável, pois teria sido uma solução propriamente democrática seguir uma via institucional de resolução de conflitos, sem o recurso ao uso da força. O problema, no entanto, não é apenas esse, pois boa parte dos que condenaram o golpe militar não possui nenhuma credencial democrática. Ao contrário, eles tudo fazem para desfigurá-la. Usam-na conforme as suas conveniências.

Há, contudo, uma questão preliminar, relativa à natureza desse golpe militar. Ele foi feito sob injunção do Supremo Tribunal daquele país e com pleno apoio do Poder Legislativo, pelo fato de o presidente não mais respeitar as decisões do Judiciário nem as do Congresso. Ele se colocou, progressivamente, fora da lei, abrindo um vácuo jurídico que foi aproveitado por seus adversários. Tentou convocar por decreto, por um ato administrativo, um referendo, que poderia desembocar numa reeleição sua, o que a Constituição daquele país proíbe.

Não obedeceu ao Supremo, que proibia essa consulta, e agiu à revelia de um Congresso já atento a essa tentativa de circuitá-lo. Tentou usar os militares nesse seu processo de referendo, tarefa que foi recusada por eles. O problema reside, portanto, na natureza dessa iniciativa governamental, que considerou não mais ser necessário seguir a lei. É como se, para a democracia, bastasse um referendo popular, com completo menosprezo pelo Estado de Direito. Pode-se, nesse sentido, dizer que ele estava criando as condições de um golpe civil, na esteira do protoditador Hugo Chávez."

O bom artigo completo você lê clicando no link Estadão acima

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15/06/2009

A Obamanização do Mundo

- A Obamanização do Mundo por João Pereira Coutinho na Folha

"... a obamanização consiste em substituir a realidade pela fantasia...
...
A fantasia esquecia dois pormenores básicos, quase dolorosos. Primeiro: o Irã não é uma democracia. O Irã é uma teocracia, o que significa que as decisões (iniciais e finais) pertencem ao Líder Supremo, Khamenei.

É o Líder Supremo quem escolhe os candidatos presidenciais. Em todas as eleições, aparecem centenas ao cargo. Esse ano, foram 485 candidaturas. Quatro foram selecionadas, depois de verificação apertada, ou seja, depois de se verificarem os créditos revolucionários dos quatro candidatos, rigorosamente do sexo masculino e rigorosamente muçulmanos xiitas. Mas a influência do Líder Supremo não termina aqui. O Líder Supremo, independentemente do resultado da votação, escolhe o presidente do Irã. Os iranianos que foram às urnas são apenas figurantes de um teatrinho sórdido.
...
E agora? Agora, coisa nenhuma. A vitória de Ahmadinejad, seguramente forjada, cumpriu na perfeição o roteiro pré-definido pela teocracia iraniana. O que significa que, depois dos Guardas Revolucionários fazerem o seu trabalho, prendendo ou espancando os manifestantes, o Irã continuará o seu glorioso caminho rumo à pobreza, à opressão das suas minorias e, claro, à bomba nuclear, para uso cirúrgico contra Israel. A obamanização do mundo é uma idéia simpática. As idéias simpáticas, pelos vistos, não chegam a Teerã."


Como sempre, de uma lucidez irrepreensível. Vale a pena lerem o artigo todo, clicando no link "Folha" acima.

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19/04/2009

Feriadão - Boa ocasião para colocar a leitura em dia

Nesta semana com dois feriados no meio aqui no Estado do Rio de Janeiro (de tanto decretar feriados o governo vai acabar conseguindo que a iniciativa privada trabalhe tão pouco quanto ele... Mas isso é outro assunto!) a ocasião é propícia para colocarmos a leitura em dia.
Para ajudá-lo, fomos saber que livros os petropolitanos andam lendo. São eles (numa amável informação da Livraria Impressões):

FICÇÃO

1 - A Cabana de William P. Young
2 - Crepúculo de Stephenie Meyer
3 - O Vendedor de Sonhos de Augusto Cury
4 - Eclipse de Stephenie Meyer
5 - A Menina que Roubava Livros de Markus Zusak
6 - O Silêncio dos Amantes de Lya Luft
7 - Ensaio Sobre a Cegueira de José Saramago
8 - Guardião de Memórias de Kim Edwards
9 - O Caçador de Pipas de Khaled Hosseini
10-Cidade do Sol de Khaled Hosseini

NÃO FICÇÃO

1 - Comer, Rezar, Amar de Elizabeth Gilbert
2 - O Castelo de Vidro de Jeanette Walls
3 - O Mago de Fernando Morais
4 - Código da Vida de Saulo Ramos
5 - Transformando suor em ouro de Bernardo Rezende (Bernardinho)
6 - Conspiração Franciscana de John Sack
7 - Laowai de Sonia Bridi
8 - Livro das Citações de Eduardo Giannetti
9 - 1808 de Laurentino Gomes
10-Maysa - Só Numa Multidão de Amores de Lira Neto

AUTO-AJUDA E ESOTERISMO

1 - A Lição Final de Randy Pausch
2 - O Segredo de Rhonda Byrne
3 - Porque os homens fazem sexo e as mulheres fazem amor? de Allan e Barbara Pease
4 - Sempre em Frente de Roberto Shinyashiki
5 - O Poder do Agora de Eckhart Tolle
6 - Nunca Desista de Seus Sonhos de Augusto Cury
7 - O que toda a mulher inteligente deve saber de Steven Carter e Julia Sokol
8 - A Lei da Atração de Michael J. Losier
9 - Anticâncer de David Servan-Schreiber.
10-Quando o sofrimento bater em sua porta de Pe. Fábio de Melo

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23/01/2009

De revolucionários a barnabés

Ótimo artigo de Raul Jungmann no Estadão de ontem:

"O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) teve o mérito de colocar a reforma agrária na ordem do dia no governo Fernando Henrique Cardoso e o demérito de retirá-la no governo Lula.

FHC prometeu e assentou 600 mil famílias e distribuiu 22 milhões de hectares de terra; criou o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), o Banco da Terra e o Programa Nacional de Fortalecimento de Agricultura Familiar (Pronaf), o maior programa de alívio da pobreza rural; realizou a mais extensa mudança na legislação fundiária desde o Estatuto da Terra, de 1964. Além disso, instituiu o rito sumário nas desapropriações, reformou o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) e editou uma Lei de Terras, ferindo de morte o latifúndio, e cassou o registro administrativo de todos os grandes latifúndios do País (cerca de 93 milhões de hectares).

Ao final dos seis anos em que estive à frente do MDA, os superintendentes do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) nos Estados eram nomeado apenas por mérito. E todos na estrutura tinham de abrir mão de seu sigilo fiscal e bancário ao assumirem cargos de chefia. Era proibida a nomeação de parentes.

Nenhum massacre de sem-terra tornou a ocorrer após Eldorado dos Carajás, de tristíssima memória. Nenhum escândalo de desapropriação fraudulenta de terras ou corrupção pipocou. As invasões de propriedades foram caindo até alcançarem o seu mais baixo nível em décadas - resultado, em parte, da edição da medida provisória (MP) das invasões de terra, que determinava a retirada do Programa de Reforma Agrária, por dois anos, de qualquer área invadida.


E o governo Lula, o que fez e faz?
Antes de Lula chegar ao poder, li uma entrevista em que ele garantia que, se eleito, "faria a reforma agrária de uma canetada só". Sorri e tive raiva, ao mesmo tempo, por causa da evidente demagogia. Até hoje a reforma agrária do sr. Lula tem seguido, em linhas gerais, a do governo FHC - embora menor, menos criativa e menos republicana. Não se mudou uma vírgula na legislação agrária herdada, acidamente criticada pelo PT e por seu braço no Movimento dos Sem-Terra durante anos a fio. Tampouco houve alteração no MDA e no Incra. Onde se deu alguma mudança foi para pior. Todos os cargos comissionados do Ministério e do Incra, sem exceção, voltaram a ser preenchidos por indicação política dos movimentos sociais ou partidos da base do governo. Acabou a exigência de se abrir mão do sigilo bancário e fiscal para ocupar chefias.

Os números de assentamentos e de hectares de terra distribuídos são claramente inferiores, ainda que o volume permaneça razoável. Já os conflitos e assassinatos por causa da terra explodiram no início do atual governo, fruto da expectativa (frustrada) da reforma de uma canetada só. Em seguida, estabilizaram-se em patamares mais baixos, sem chegar, entretanto, ao nível dos anos finais do governo FHC. O Banco da Terra, que motivara uma enorme campanha de desqualificação por parte do MST, foi rebatizado de "Crédito Fundiário". No Nordeste, berço das Ligas Camponesas e da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), programa de assentamentos resultante da transposição do Rio São Francisco não será implantado - ao menos no atual governo.

A MP das invasões não foi revogada, mas também não é cumprida. Sempre haverá algum governista a bradar que os recursos destinados à reforma agrária são maiores no governo Lula. Claro. O País cresceu, a arrecadação de impostos e o orçamento global, idem. E há ainda a questão da produtividade da terra. O governo Lula assumiu compromisso com o MST de rever os índices que medem a produtividade agrária, de modo a ampliar o estoque de áreas improdutivas. É risível! Sabíamos, por experiência própria, que o empresariado rural vai à guerra antes de admitir tal mudança, a qual incendiaria, de verdade, o País. Resultado: mais uma promessa que não deu em nada.

E o que faz o MST diante desse quadro?

Perdeu o rumo, o prumo e a razão de ser: derrotar e, se possível, derrubar o governo Fernando Henrique. Isso é cristalino quando se comparam os dois governos e a atuação do movimento. Fosse a reforma agrária razão de ser real do MST, seu desempenho no governo Lula seria mais agressivo que no de FHC. Haveria mais pressões. Mas ocorre justamente o contrário. Por quê?

Este governo é do MST, que o ajudou a "chegar lá". Ainda que verbalize, aqui e acolá, contrariedades e críticas periódicas ao Programa de Reforma Agrária, tudo é muito bem comportado e dentro de limites traçados no Planalto pelo ministro Luiz Dulci. Sabem os sem-terra que a alternativa real a Lula é o PSDB, pois eles não têm alternativa política ao que "está aí".

Em segundo lugar, o governo fez do MST um movimento governista por meio de ampla cooptação, via aparelhamento do Incra e suas superintendências e do MDA. De quebra, abriu como nunca as burras do Tesouro ao movimento, por intermédio de praticamente todos os seus Ministérios, autarquias e estatais. Resultado: grande parte das lideranças intermediárias e superiores do MST foi cooptada. Tem cargo comissionado, virou chapa-branca, aburguesou-se...

Por fim, os programas sociais de transferência de renda, do tipo Bolsa-Família, criados no governo anterior e ampliados no atual, têm o condão de secar as fontes de recrutamento do MST. Moral da história e ironia do destino: o presidente que ia fazer a reforma agrária de uma canetada só não a fez, nem com todo o estoque de tinta do Palácio do Planalto. Tem tudo para passar à história como o verdugo, ainda que não intencional, do MST.

Já João Pedro Stédile, quem diria, de incendiário e revolucionário no governo FHC virou barnabé no governo do camarada Lula".

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07/01/2009

Molambos Golpistas

Mais do que ficar na superfície dos trapos juntados pelo deputado João Paulo Cunha (PT-SP) numa trouxa que vem sendo chamada indevidamente de reforma política, o País precisa estar alerta para a traça que se esconde dentro desse embrulho. Escolhido pelo governo relator da "reforma" - cuja admissibilidade já foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara -, ele deu vida a uma tese do fim da reeleição com prorrogação de todos os mandatos - tanto de parlamentares quanto de prefeitos, governadores e presidente da República. Feita a modificação, estaria consolidada uma situação nova que - sonham alguns golpistas - talvez pudesse, quem sabe, em vez da imoral prorrogação, viabilizar uma emenda que desse direito a Lula de se candidatar novamente.
...

Já seria trágico se essa enganação terminasse naquilo que o petista mensaleiro encalacrado no Supremo Tribunal Federal propôs. Mas, não. Aninhada onde a cidadania não pode enxergá-la e protegida da luz do sol e da decência está a traça do terceiro mandato, verdadeiro objetivo dessa variedade de molambos da "reforma" que passa a tramitar na Câmara este ano.

...

Lei a íntegra deste alerta de Roberto Freire no Estadão aqui

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31/12/2008

O Sonho de José - O Agricultor Brasileiro

José Batistela é um típico agricultor brasileiro, descendente de imigrantes, que Xico Graziano usa para nos falar das necessidades do campo na ótima crônica "Ilusão Rural".
Nela, embalado pelo espírito do "Ano Novo", José adormece na virada do ano, e sonha:

1) O preço dos insumos agrícolas (fertilizante, semente, arame, defensivo, sal mineral) vai despencar, fazendo com que, pela primeira vez, caia o custo da produção rural, sobrando dinheiro no bolso, suficiente para investir na tecnologia e gastar com a família.

2) Os frigoríficos bovinos, as fábricas de suco de laranja e usinas de açúcar e álcool, agroindústrias poderosas, entendendo que na cadeia de produção o elo mais fraco da corrente não pode ser destruído, irão elevar o preço vil que sempre praticaram na compra do boi, da laranja e da cana-de-açúcar.

3) O governo, após infinitas reuniões entre seus economistas, compreendeu finalmente que investir em infraestrutura - estradas, portos, ferrovias, telecomunicação, energia - é assunto de sua responsabilidade, necessário para garantir apoio ao desenvolvimento rural, valorizando o interior do País.

4) As grandes redes de varejo, representadas especialmente pelos supermercados, destarte exercendo enorme poder de compra no mercado, passarão a tratar com respeito seus fornecedores, os pequenos olericultores, deixando de achatar o preço das frutas e dos legumes que comercializam, sem, obviamente, magoar as donas de casa.

5) Uma grande campanha de marketing se iniciará após o carnaval, envolvendo as cooperativas, os laticínios e o governo - semelhante àquela existente há anos nos EUA -, estimulando o consumo de leite e seus derivados, principalmente entre as crianças, viciadas em beber duvidosos refrigerantes.


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28/12/2008

Síndrome de Truman

...
Um pouco de história talvez ajude: durante séculos, a posição que ocupávamos em sociedade era determinada pelo berço em que nascíamos. Nascer no berço errado, em circunstâncias de pobreza material e cultural, era meio caminho andado para uma vida igualmente pobre e lúgubre. Existem todas as exceções do mundo, claro. Mas as exceções apenas servem para comprovar a tese: a nossa posição em sociedade era uma questão de sorte, não de mérito.

Com o fim da Primeira Guerra Mundial, e o enterro do Velho Mundo que o conflito arrastou consigo, tudo mudou. O berço continuou a ter palavra importante. Mas não mais decisiva. O mérito passou a determinar o nosso lugar em sociedade. Em teoria, e sobretudo na prática, seria possível, ao filho de um pobre, entrar nos salões de um rico. Bastava, para isso, que o pobre ganhasse o dinheiro necessário para os comprar. As nossas sociedades são a prova provada de que a meritocracia vingou e que o "self-made men" derrotou grande parte dos preconceitos de classe.

E hoje? Hoje, como escreve Toby Young em recente ensaio para a revista "Prospect", a era meritocrática foi enterrada. Depois do berço e do mérito, chegámos à era da celebridade. Podemos nascer no berço certo; podemos até subir a corda social com os nossos próprios pulsos, provando o nosso valor intrínseco; mas se não somos "famosos", ou seja, se não alimentamos o voyeurismo coletivo em que vivemos, não somos rigorosamente nada. Vivemos em sociedades mediatizadas e massificadas. E numa sociedade mediatizada e massificada, é o anonimato, e não a pobreza ou a incompetência, que pesa profundamente sobre a espécie.

Não é de admirar, por isso, que uma parte crescente de seres humanos se sinta cansada do circo instalado; se sinta cansada, enfim, de um mundo de celebridades ocas que, na verdade, parece um "reality show" permanente. Eles imploram para sair do espetáculo na impossibilidade de o derrotarem.
...

Clique aqui para ler a íntegra de mais esta ótima crônica do João Pereira Coutinho, na Folha

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21/12/2008

Um pedido ao Papai Noel

As crianças vêem o Papai Noel como um velhinho simpático, bonachão, que aparece uma vez por ano trazendo presentes. Um adulto, se acreditasse em Papai Noel, pensaria de outra maneira. Pensaria no Papai Noel como uma figura real, claro, porque adultos de há muito deixaram para trás a imaginação infantil. E isso geraria muitas perguntas. É casado, o Papai Noel? Se é casado, por que a mulher dele nunca aparece? E como será a mulher dele? Uma mulher simpática, bonachona, dadivosa, uma verdadeira Mamãe Noel, ou quem sabe é uma megera, sempre disposta a brigar com o marido e a acusá-lo (“Não me venha com essa história que você passou a noite entregando brinquedos, que eu não acredito”)? E filhos? Será que o Papai Noel tem filhos? E como será que esses filhos o vêem? Será que também o acusam, com frases tipo: “Meu pai se interessa por todos os filhos, menos por nós”?. E a vida cotidiana do Papai Noel, de que maneira transcorre? Diz a lenda que ele tem uma gigantesca fábrica de brinquedos no Pólo Norte. Se isso é verdade, como está enfrentando a crise? Está mantendo a produção, ou vai dar férias coletivas para os empregados? E como será o seu relacionamento com o sindicato da categoria? O que tem a dizer sobre a redução do IPI?
Moacyr Scliar no Zero Hora

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14/12/2008

O Arroz de palma

Acompanhamos neste romance cem anos da história de uma família, que poderia ser a sua ou a minha, que emigra para o Brasil no século XX em busca de melhores dias, com tudo o que acontece no seu seio: esperanças e desesperos, brigas, casamentos, separações, intrigas, comemorações, amor e ódio, nascimentos e mortes, sucessos e fracassos.
Tudo o que acontece nos cem anos desta saga familiar é retratado com carinho poético por Francisco Azevedo neste seu livro O Arroz de Palma.

O título faz referência ao arroz jogado aos noivos à saída do casamento do patriarca da família retratada, e acaba sendo o fio condutor da narrativa.

Lançado pela Editora Record, o livro tem o preço sugerido de R$ 42,00, e está à venda nas boas casa do ramo!

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07/12/2008

O que os petropolitanos andam lendo

Adoro ler! Leio tudo o que me vem parar às mãos.
O cheiro característico de uma livraria me aguça os sentidos, talvez pelo prazer antegozado da leitura que trarei para casa. A maioria dos presentes que dou às pessoas amigas são...livros.
Por esses motivos resolvi pesquisar o que é que os petropolitanos andam lendo. Abaixo, a lista dos livros mais vendidos em Petrópolis, na última semana, conforme amável informação da Livraria Impressões:

FICÇÃO
1 - A Menina que Roubava Livros de Markus Zusak
2 - O Vendedor de Sonhos de Augusto Cury
3 - A Cabana de William P. Young
4 - Crepúculo de Stephenie Meyer
5 - Guardião de Memórias de Kim Edwards
6 - O Silêncio dos Amantes de Lya Luft
7 - Ensaio Sobre a Cegueira de José Saramago
8 - Cidade do Sol de Khaled Hosseini
9 - O Caçador de Pipas de Khaled Hosseini
10-Rio das Flores de Miguel Sousa Tavares

NÃO-FICÇÃO
1 - Comer, Rezar, Amar de Elizabeth Gilbert
2 - O Castelo de Vidro de Jeanette Walls
3 - Código da Vida de Saulo Ramos
4 - Laowai de Sonia Bridi
5 - 100 Dicas para Viajar Melhor de Ricardo Freire
6 - Marley e Eu de John Grogan
7 - Conspiração Franciscana de John Sack
8 - 1808 de Laurentino Gomes
9 - Guia de Trilhas de Petrópolis de Waldyr Neto
10-Livro das Citações de Eduardo Giannetti

AUTO-AJUDA E ESOTERISMO
1 - O Segredo de Rhonda Byrne
2 - A Lição Final de Randy Pausch
3 - Nunca Desista de Seus Sonhos de Augusto Cury
4 - Porque os homens fazem sexo e as mulheres fazem amor? de Allan e Barbara Pease
5 - O Poder do Agora de Eckhart Tolle
6 - O que toda a mulher inteligente deve saber de Steven Carter e Julia Sokol
7 - Sempre em Frente de Roberto Shinyashiki
8 - A Lei da Atração de Michael J. Losier
9 - Você Pode Curar Sua Vida de Louise L. Hay
10-O Maior Vendedor do Mundo de Og Mandino

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19/11/2008

O fim da verdade


MIAMI – Durante a cobertura das eleições americanas na noite de 4 de novembro passado, a CNN se destacou com uma novidade digna da ficção científica: a repórter Jéssica Yellin, que se encontrava na sede da campanha de Obama em Chicago, apareceu em forma de holograma nos estúdios da rede em Nova York, onde foi entrevistada pelo apresentador Wolf Blitzer.
A cena toda parecia um número de magia e não passou disso: uma ilusão. O suposto holograma não existiu porque Blitzer não via a imagem de Yellin; somente os telespectadores a viram.
O apresentador dialogou com um espaço vazio, enquanto a imagem tridimensional de Yellin foi aplicada à tela da mesma maneira pela qual os efeitos especiais gerados por computador se incorporam a um filme.
Sem querer diminuir a proeza tecnológica, que sentido houve em estreá-la em um programa jornalístico e, mais ainda, na noite das eleições? O recurso não acrescentou nada à informação, pelo contrário centralizou o interesse no artifício e não no conteúdo.
Obviamente a CNN quis assegura a maior audiência possível para mostrar o seu novo brinquedo e não teve escrúpulos em incluir um pouco de diversão na cobertura eleitoral.
Bem-vindos ao mundo das verdades relativas! Mais do que inaugurar uma nova era no tratamento de notícias, a CNN ratificou a disfunção da verdade como condição necessária do jornalismo.
Não foram os primeiros, é certo. De fato, a alteração da realidade está tão entrelaçada com a história da imprensa, que é um milagre não ter sucumbido antes. Porém tratando-se de uma organização com o poder de influência da CNN, o holograma fajuto pareceu um réquiem para as aspirações de excelência informativa.
Acossados pela competição das novas tecnologias, os meios jornalísticos convencionais fazem o que podem para defender a sua rentabilidade.e, neste intento, não vacilam em manipular recursos próprios do mundo do entretenimento, ainda que isto signifique adulterar o conteúdo noticioso.
O fenômeno que mais os desconcerta é o da chamado “blogosfera”. Os “bloggers” se converteram em um exército consistente e global e já ninguém pode mais ignorar sua existência. Alguns são altamente eficazes e persistentes; outros abertamente mentirosos e a maioria exibe uma volátil relação com o rigor informativo, o conjunto tornando extremamente difícil a distinção entre a verdade e a invenção.

O caso de Martin Eisenstadt é ilustrativo. Até pouco tempo era considerado um importante assessor da campanha de McCain e destacado membro do Instituto Harding pela Liberdade e Democracia. Suas declarações fora reproduzidas pela rede MSNBC, o diário Los Angeles Times e a revista The New Republic. O programa Fox News o identificou como a fonte da suposta história segundo a qual Sarah Palin não sabia que a África era um continente. Seu blog, www.eisenstadtgroup.com o descreve como um especialista em questões militares e políticas do Oriente Médio.
Só que Einsenstadt não existe, como tampouco existem seu grupo nem o Instituto Harving pela Liberdade e Democracia. Como revelou na quinta feira o The New York Times tratou-se de uma travessura de dois “hackers”, Eitan Gorlin e Dan Mirvish, que inventaram Einsenstadt com a declarada intenção de convertê-lo em personagem de uma série de televisão que procuravam vender.
Subitamente, ninguém sabe mais o que é certo e o que não é. Os governos e os políticos aportam suas generosas doses de engano e uma legião de espertos desenhistas se diverte alterando fotografias e vídeos que logo veiculam no YouTube como se tratassem de documentos.
Esta progressiva perda de credibilidade da imprensa está gerando um extenso cinismo no público. A melhor prova disto são os fóruns dos jornais on line nos quais os participantes se descabelam com argumentos distorcidos e reclamam um protagonismo que a realidade lhes nega.
A tendência não mostra sinais de arrefecimento, pelo contrário. Enquanto o entretenimento for rei, a verdade está se mostrando tão aleatória que logo se tornará irrelevante.

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14/11/2008

Obras de Jorge Amado são relançadas

A Companhia das Letras continua o relançamento das Obras de Jorge Amado.
Para a segunda quinzena deste mês estão previstos os livros:

De como o mulato Porciúncula descarregou seu defunto.
(Que tem duas histórias. A que a que dá o título ao livro trata do amor platônico entre o mulato Porciúncula e Maria do Véu, prostituta obcecada por casamentos que ele conhece em Salvador e que havia sido expulsa de casa a pauladas, aos quinze anos, depois de perder a virgindade com o filho de um coronel).



O milagre dos pássaros
(Sátira divertida das relações conjugais (menos) e extra-conjugais (mais) no interior do nordeste.

Tereza Batista cansada de guerra
(A órfã Tereza Batista é vendida, aos 13 anos, a um fazendeiro pedófilo. Mais tarde, mas não muito, acaba por tornar-se uma mulher capaz de combater uma epidemia de varíola e liderar um movimento de prostitutas.

Jubiabá
(As aventuras de um dos primeiros heróis negros da literatura brasileira, Antônio Balduíno, nascido órfão no morro do Capa-Negro, em Salvador, e que se torna menino de rua, malandro, sambista, lutador de boxe, trabalhador nas plantações de fumo, artista de circo e estivador. Escrito por Jorge Amado aos 22 anos, este livro nos mostra o nascimento de tipos de personagens que povoarão os seu livro ao longo da sua carreira de escritor.)

À venda nas boas casas do ramo.

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23/08/2008

Gostei de Ler

- Pequenos monstros, por João Pereira Coutinho na Folha Online

Os Jogos não são mero desporto para a China; são uma forma do regime mostrar superioridade perante o mundo (tradução: perante os EUA), vencendo mais medalhas e apresentando uma organização imaculada, onde o fogo de artifício é gerado por computador e crianças inestéticas são dubladas por rostos mais fotogênicos. Um atleta chinês, quando entra em cena, está em guerra diplomática. Perder é morrer.

Mas existe uma razão adicional e pessoal: há trinta anos que a China persiste na sua política do filho único como forma de limitar a explosão demográfica. E essa política tem um preço: quando os casais têm um único filho, a pressão e as expectativas de sucesso aumentam, esmagando os desgraçados. A China criou uma juventude admirável: pequenos monstros que jogam a existência, sua e dos progenitores, em cada prova desportiva ou académica.



- O Direito só pode ser achado na Lei, por Reinaldo Azevedo, na Veja

Há a máxima do futebol segundo a qual árbitro bom aparece pouco. Depende. Se os jogadores ignorarem a bola e mirarem na canela dos adversários, então ele se torna protagonista da partida. Por que um embate com leis degenera em pancadaria? As razões são as mais diversas. Em que cultura se formaram os jogadores? Qual é o seu caráter? Eles respeitam as regras do jogo? Há reações duras e estridentes àquilo que alguns chamam "excesso de protagonismo" do Supremo Tribunal Federal (STF), tornado árbitro do jogo político. Os ministros são acusados de tolher prerrogativas do Executivo, de fazer leis em lugar do Legislativo, de imiscuir-se nas ações das polícias e de atropelar instâncias da própria Justiça.
...
Partidário assumido das idéias do teórico comunista Antonio Gramsci (1891-1937), Lyra Filho incitava seus sequazes a desmoralizar a tradição jurídica e seus doutores, que ele chamava "catedr’áulicos". Num texto-bula dirigido aos jovens, diz como devem se comportar seus partidários: "A pressão libertadora não se faz apenas de fora para dentro, mas, inclusive, de dentro para fora, isto é, ocupando todo espaço que se abre na rede institucional do statu quo e estabelecendo o mínimo viável para maximizá-lo evolutivamente". Mais adiante, ele exalta aqueles que exploram "as contradições e porosidades do sistema legal, recorrendo à ILEGALIDADE NÃO-SELVAGEM [as maiúsculas são minhas], com lucidez e comedimento, isto é, em condições de pressão dosada, que força a absorção de pontos positivos pelo sistema dominante". Quem é íntimo da teoria política sabe: é puro Gramsci, autor de uma estratégia de tomada do poder, não de uma filosofia do direito.
...
O Supremo percebeu que era hora de reagir a essa investida e bateu o martelo: "O direito deve ser achado na lei, não na rua". Aplausos, então, para o árbitro!


- Proliferação de sindicatos, Editorial do Estadão

Com uma simples portaria, cuja publicação em abril passou despercebida do público, o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, mudou as regras para o registro de entidades sindicais, facilitando ainda mais a constituição e o reconhecimento de sindicatos, federações e confederações. A portaria amplia os poderes do Ministério do Trabalho, para tornar mais rápido o processo de registro dessas entidades. Registradas no Ministério, elas imediatamente se habilitam a participar da receita do imposto sindical e, ao se filiarem a uma determinada central sindical, aumentam a fatia desta na partilha do bolo - hoje estimado em R$ 1,3 bilhão -, reduzindo a das centrais concorrentes.
...
A política sindical do governo Lula repete as velhas práticas do clientelismo getulista. Sindicatos, federações, confederações e centrais a aprovam porque ela lhes rende vultosos recursos. Só neste ano, a arrecadação do imposto sindical soma R$ 1,35 bilhão. Desse bolo, 60%, ou cerca de R$ 800 milhões, vão direto para os sindicatos. Uma fatia pequena, de 10%, fica com o governo para constituição de fundos de apoio ao trabalhador. Os demais 30% vão para as federações, confederações e, agora, as centrais sindicais. Estas têm direito a 10% do bolo do imposto sindical e o rateio desse dinheiro é diretamente proporcional ao número de sindicatos filiados. Daí o interesse das centrais em registrar novos sindicatos, tarefa que, com a Portaria nº 186, o governo Lula facilitou.


Leitura para o fim de semana:

Cannery Row ( Bairro de Lata, na tradução portuguesa) de John Steinbeck

A violência, a miséria e o vício de que frequentemente se revestem as personagens de Steinbeck são os elementos de contraste destinados a realçar a generosidade e humanidade dessa mesma gente. As histórias de Cannery Row ilustram admirávelmente uma atitude moral bem características deste grande romancista norte-americano, ganhador do Prémio Nobel da Literatura de 1962

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