07/11/2008
06/11/2008
Ainda sobre as eleições norte-americanas
O primeiro, que diz respeito, na prática, apenas aos americanos - simbologicamente é um avanço para o mundo, mas não a isso que me refiro -, é o fato de Obama ser o primeiro presidente negro da história do país.
Não falo do tal sonho realizado de Martin Luther King (apesar de ser uma afirmação correta, isso me soa a pieguice da mídia), mas do fato de que os EUA são um país ainda com grande segregação racial, que foi oficialmente extinta apenas na segunda metade do século XX, havendo ainda muito preconceito (de ambos os lados)e espaço para esteriotipações caricaturais (algumas auto-realizadas, como as dos "gangsta-rappers") e movimentos abomináveis como a Ku Klux Klan. A segregação tende, ao menos, a ser desencorajada com a eleição de um presidente negro - embora eu acredite que não vá terminar, pois é uma questão culturalmente muito arraigada para os "wasp's"(sigla em inglês para branco anglo-saxão protestante) sobretudo no sul-,assim como a situação das minorias AMERICANAS tende a melhorar (não acredito que o mesmo vá ocorrer aos imigrantes), com mais tolerância às diferenças e justiça ao menos por parte do Estado.
O segundo, este sim, de interesse internacional, é o fim da chamada "era Bush". Realmente a história mostra que os democratas não são necessariamente mais "à esquerda" que os republicanos. Mas, ao que parece, o presidente eleito demonstra ter mais "bom senso" para questões belicosas e internacionais em geral que o antecessor (o que não é difícil). E isso por si só merece um suspiro de alívio por parte de todos nós.
Não alimento a esperança de que ele, como democrata, vá ser mais "à esquerda" do que os republicanos (o senador McCain declarou em campanha que iria facilitar a importação do etanol brasileiro, para suprir a demanda por combustível mais barato e "ecológico"), rompendo a barreira econômica a Cuba, como almeja nosso presidente, mas acredito que, por bom senso, seja menos intervencionista e centralizador politicamente do que o George Bush, e parece estar propenso a rever diversas posições adotadas pelo antecessor. Pesando na balança, acredito que o resultado seja posivo para todos, afinal.
Enfim, merece destaque o discurso de derrota do senador McCain, que demonstrou tato e "fair play" político, inclusive rechaçando as vaias do público ao adversário e prometendo colaboração com o governo, em tom sóbrio e de cabeça erguida. Bom exemplo a ser seguido.
Postado por LFM às 17:12 0 comentários
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05/11/2008
As Eleições Americanas e o Brasil
O fato encontra explicação muito mais na esfera da psicanálise do que em qualquer outra!
Não sei se por raiva, se por inveja, se por despeito, se por impotência, se por um misto de todas elas, a torcida por Obama levava com ela a esperança de que os norte-americanos, ao elegê-lo, fizessem, de dentro para fora, o que décadas de tentativas da esquerda de todo o mundo não conseguiram: acabar com o dito "modelo americano"!
Doce ilusão!
Nem Obama é essa "cunha infiltrada" no modêlo, nem o americano médio quer mudá-lo. Quando muito, dele quer uma repaginação leve, e uma forma mais eficiente de o vender, com a diminuição da resistência que encontra quando viaja ao exterior!
No mais, continua, e corretamente, preocupado com o próprio emprego, a qualidade de vida que alcançou, o tempo (os americanos têm uma estranha fixação com tudo o que se relaciona às condições climáticas das suas redondezas), e o que acontece numa distância que raramente ultrapassa os limites do seu "county".
Por outro lado, a História também não nos fornece nenhum indício de que um governo democrata seja, em matéria de política internacional, mais à esquerda do que um republicano, para desespero de boa parte da nossa imprensa! Exemplos do contrário abundam: O bloqueio a Cuba foi decretado por um presidente democrata (John F Kennedy, em Fevereiro de 1962) e ampliado por Clinton em 1999 (curiosamente, outro democrata). A détente começou com H. Kissinger no governo Nixon (um republicano), assim como a aproximação sino-americana. Essa política de distensão culminou, em 1986, com o encontro de cúpula de Reykjavik entre Reagan (um republicano) e Gorbatchev, e a assinatura do tratado que pôs fim à "guerra-fria" em Washington, no ano seguinte, assinado por ...Reagan!
Comercialmente, os governos democratas são, por tradição e necessidade (veja nos posts anteriores quem são os financiadores de suas campanhas e vai entender porquê), muito mais restritivos do que os republicanos, impondo barreiras comerciais e fito-sanitárias intransponíveis para os produtos estrangeiros.
Sob o ponto de vista, tão badalado nos dias de hoje, de preocupação com o meio-ambiente, presidentes democratas e republicanos são ...iguaizinhos! Se Bush não assinou um inócuo Protocolo de Kioto, Clinton passou o tempo inteiro de seu governo sem nada fazer, vindo a assinar, poucas semanas antes de saír, uma lei que obrigaria, num longuíssimo prazo, as montadoras a tornarem os seus carros mais econômicos e menos poluentes - muito mais para constar no curriculum do que para ter efeitos práticos-, e...só!
Como se percebe, e parafrasendo os ingleses, não existe nada mais parecido com um republicano do que um democrata no poder!
Quando, em política internacional ou comércio exterior, se trata de ceder eles são iguais em resultados, só mudando a roupagem: Um governo democrata tende a prometer (embora não entregue o prometido) enquanto o republicano nem sequer promete!
Estarão eles errados?
Não. Eles foram eleitos para defender, primeiramente, os interesses do povo americano, e não do russo, chinês, brasileiro ou malaio!
Postado por PCM às 14:03 1 comentários
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Eleições Americanas : Quem financia quem II
Abaixo, os maiores financiadores dos candidatos em 2008:
As organizações em si não contribuem. Embora o dinheiro seja angariado por elas, ele provém dos seus membros/empregados e de suas famílias, já que existe um limite legal para doações.
Postado por PCM às 13:16 1 comentários
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Eleições Americanas : Quem financia quem
Aqui vai a lista dos principais financiadores das campanhas norte-americanas de 1989 até 2008:
Principais Financiadores Democratas:
American Federarion of State, County & Municipal Employees
American Association for Justice
International Brotherhood of Electrical Workers (AFL-CIO)
National Education Association
Laborers Union
Service Employees International Union
Carpenters and Joiners Union
Teamsters Union
Communication Workers of America
American Federation of Teachers
United Auto Workers
Machinists & Aerospace Workers Union
United Food & Commercial Workers Union
Goldman Sachs
Emily's List
National Association of Letter Carriers
Time warner
AFL-CIO
Sheet Metal Workers Union
United Steel Workers
Plumbers & Pipefitters Union
Air Line Pilots Association
Principais Financiadores Republicanos:
American Medical Association
Altria Group
United Parcel Service
National Auto Dealers Association
United Parcel Service
FedEx Corp
National Association of Home Builders
American Bankers Association
National Beer Wholesalers Association
Verizon Comunications
National Rifle Association
Ernst & Young
American Dental Association
Delloitte Touche Tohmatsu
BellSouth Corporation
Que financiam os dois partidos equilibradamente:
AT&T Inc
National Association of Realtors
Citigroup Inc
JP Morgan Chase & Co
Microsoft Corp
Morgan Stanley
Lochheed Martin
General Electric
Credit Union National Association
Bank of America
American Hospital association
Blue Cross/ Blue Shield
Merril Lynch
Atenção:
Postado por PCM às 12:10 1 comentários
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Eleições Americanas : Custos da campanha
Até ao dia 27 de Outubro, assim estavam as finanças das campanhas dos candidatos:
Obama
Recursos angariados: US$ 639M
Recursos Gastos:US$ 573M
McCain
Recursos angariados: US$ 360M
Recursos gastos: US$293M
Postado por PCM às 11:45 0 comentários
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Eleições Americanas : Curiosidades
- É o primeiro democrata a conseguir mais de 50% dos votos da população desde Jimmy Carter;
- É o primeiro democrata nortista a se eleger desde J.F.Kennedy em 1960;
- Obama se elegeu apenas 40 anos após ter sido aprovado o "Voting Rights Act" que garantiu aos negros o direito ao voto em toda a nação americana (até então cada Estado tinha a sua legislação própria);
- É a primeira vez desde o início do governo Clinton que os Democratas controlam a Casa Branca e as duas casas legislativas ao mesmo tempo!
(Este último aspecto, pouco valorizado até agora pela imprensa - focada na histórica vitória de um negro - é o que poderá dar governabilidade a Obama, permitindo-lhe cumprir as principais promessas de campanha e implementar as políticas de saúde,regulamentação da área financeira, e terminar com a guerra no Iraque!)
Postado por PCM às 11:15 0 comentários
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É a Democracia, estúpido!
Vencida a barreira racial, e com um comparecimento record de eleitores, os norte-americanos deram um sonoro não à administração do segundo mandato de Bush!
Muito mais do que extraordinárias mudanças politico-econômicas internas, me parece que a mais significativa alteração vai ocorrer na forma de o resto do mundo olhar os Estados-Unidos! Agora que um negro, e, ainda por cima, de origem muçulmana foi eleito presidente, continuarão os EUA a ser vistos como a fonte de todos os males do planeta?
Os dois candidatos se comportaram como pessoas dignas, e que disputaram acirrada e democraticamente a preferência dos eleitores. McCain até que estava sobrevivendo ao peso de uma autêntica poita elitoral (Mr.Bush) quando foi atropelado pela crise financeira já em plena reta final da corrida presidencial. Obama passou a a campanha inteira vendendo sonhos e esperança. Que seja, agora, capaz de os entregar!
Postado por PCM às 05:57 0 comentários
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04/11/2008
Obama X McCain
- O voto em branco!
Postado por PCM às 06:43 0 comentários
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03/11/2008
Na hora H, vai de Obama ou de McCain?
Podemos até questionar se a forma que eles têm de escolher o presidente - a eleição é indireta, a população vota em representantes por estado e o partido que eleger maior número de representante em determinado estado "leva" todos os votos para o colégio eleitoral. (Aqui um detalhe: os representantes eleitos por um partido nem sonham em votar no candidato adversário!) -, mas que é uma festa é.
Como não existe horário eleitoral gratuito, nem financiamento público de campanha, o grande trabalho é feito por milhares de voluntários em cada cidade, responsáveis por promover eventos para angariar fundos (vale tudo: bingos, rifas, concursos de dança, jantares de apoio, licenciamento de produtos, shows, venda de tortas de maçã, corridas de tartarugas...) e por contatar, pessoalmente ou por telefone, os eleitores num permanente trabalho de convencimento.
Com isto, rostos dos candidatos acabam aparecendo associados a uma enorme e variada gama de produtos.
Talvez a mais curiosa dessas exposições seja a que aconteceu este ano, com Obama e McCain como garotos-propaganda (no caso de McCain, garoto, é uma nítida força de expressão!) da empresa Practice Safe Policy criada por um empreendedor de nome Benjamin Sherman, para vender camisinhas com o nome dos candidatos!
Sem necessidade de experiência? Vá de Obama:

Velho, mas não morto? Vá de McCain:

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Postado por PCM às 09:37 0 comentários
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